COMO CONSEGUI MEU VISTO / ESCOLA JAPONESA - Blog da Moderna

COMO CONSEGUI MEU VISTO / ESCOLA JAPONESA

Heeey konnichiwa!!!
        Como disse no post anterior, resolvi vir para o Japão com um amigo que estava escrevendo um livro. Na ocasião, vim com visto de turista e resolvi arriscar. 
Me desfiz de todas as minhas coisas no Brasil e vim de mudança pra Tokyo, mesmo não tendo certeza se conseguiria tirar meu visto de residência. 
Sei que existem alguns caminhos diferentes para conseguir o visto, um deles é vindo como dekasegi (para descendentes de japoneses), mas não vou entrar em detalhes porque eu não tenho muito conhecimento para falar com propriedade sobre o assunto. No meu caso, eu vim como turista e fiz o pedido na imigração para obter o visto de longa residência. 
Para conseguir o visto, eu precisei preencher um formulário, apresentar cópia de todos meus documentos (passaporte, RG, titulo de eleitor, comprovante de voto nas ultimas eleições, antecedentes criminais da policia civil E federal), koseki tohon (árvore genealógica, para comprovar sua descendência japonesa) e um hoshonin (sponsor/ garantidor). O hoshonin deve preencher uma carta de responsabilidade, em que ele assina e diz que se responsabiliza pela pessoa financeiramente. No meu cado, o hoshonin foi um parente distante, japonês, residente em Tokyo. 
Pois bem, dei entrada no pedido de visto e não tinha o que fazer, a não ser esperar a imigração me responder. Nesse período, por eu estar com o visto de turista, não podia trabalhar, então usei esses 3 meses para fazer as pesquisas com o meu amigo escritor, viajar um pouco, conhecer melhor o namorado japonês e a família dele e estudar japonês. 
Escolhi uma escola de língua japonesa para estrangeiros (existem MUITAS por aqui), sem muito critério na verdade. A produtora do meu namorado na época me recomendou e o preço era relativamente ok, se comparado com as outras escolas que eu havia pesquisado.
Foram 2 meses de curso, me custou algo em torno de 1400 dólares, incluso material. Fazia aula na parte da tarde toda, os professores ensinavam gramática, escrita, kanji e a conversar de forma fluida.
A escola escolhida foi a Kudan Japanese School, localizada perto da Tokyo Dome. Confesso que me doeu o bolso pagar esse dinheiro todo, ainda mais que eu estava sem trabalhar e não tinha certeza alguma se conseguiria o visto. Mas foi o dinheiro mais bem investido na minha vida até hoje.
Para entrar, fiz uma “prova”, para eles avaliarem o meu nível de conhecimento em japonês e analisarem a partir de qual nível eu estaria apta a ingressar. Uma vez decidido, era hora de começar as aulas. Todos os professores sabem falar inglês, mas as aulas são absolutamente todas em japonês, e explicam de forma que mesmo que você não entenda a língua, você os compreende e o japonês é absorvido. Fiz muitas amizades com os alunos, que vinham de todos os cantos do mundo. Na minha turma havia pessoas de Taiwan, Filipinas, China, Itália, Inglaterra, India, Vietnã, Alemanha. Encontrei somente uma brasileira, mas ela estava em outra turma. 

































Workshop de doces japoneses de Kyoto que tivemos junto a uns estudantes do ensino médio, para interação japonês/ inglês





Foram dois meses imersa naquele universo, todo dia ia pra escola e voltava pra casa somente a noite. Tínhamos não somente aulas convencionais, mas também workshops de kimono, culinária japonesa, intercâmbio com alunos japoneses colegiais pra cozinharmos juntos, encontros pra praticar o japonês e fazer amizades. Muitos desses alunos não estão mais no Japão, só estavam aqui por um curto periodo de tempo, e outros se fixaram aqui, casaram com japoneses e estão até com filhos! 
Parei a escola em agosto, mês em que meu visto de turista venceria. Uma semana depois do meu visto vencido, recebi a carta da imigração avisando que meu pedido de visto havia sido aprovado, para eu ir retirar meu zairyu card (cartão de residência - acho que é como se fosse o RG no Brasil). Só paguei a taxa na imigração depois que recebi essa carta, que é o valor do visto de longa permanência. 

















Minha sala de aula no dia da conclusão do curso.



CONCLUSÕES
Tenho certeza de que existem meios mais seguros para se conseguir o visto, no meu caso, eu vim meio de aventureira e tentei a sorte. Felizmente, já vi outros casos de amigos que fizeram o mesmo, mas também já vi casos em que o visto não foi conseguido. Em todo caso, uma coisa que eu tive a impressão é que quando eu estava no Brasil, as informações sobre as mais diversas maneiras de se conseguir o visto não eram tão acessíveis quanto foram aqui (ou eu que não pesquisei direito - probabilidade alta).
11 anos atrás, meus pais e minha irmã vieram morar no Japão como dekasegis, e eu, naquela época, achava que era o único meio de obtenção de visto rápido. Hoje,morando aqui, vejo muitas outras formas de morar aqui (e que não seja casando com um japonês, como se falava antigamente, o meio mais rápido de conseguir o visto).
Sobre a escola, acho que foi o melhor investimento que fiz. Claro que em 2 meses eu não saí de lá fluente, e o resultado também varia de aluno para aluno, mas com certeza, a escola me deu a base necessária para que eu estivesse apta q sobreviver em Tokyo e a conseguir um emprego. 

Espero que essas informações tenham sido de alguma valia para quem pensa em se mudar para o Japão! 

@blogdamoderna